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O negócio multimilionário das reuniões de bandas

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MensagemAssunto: O negócio multimilionário das reuniões de bandas   Sab Fev 16, 2008 7:04 pm

O negócio multimilionário das reuniões de bandas

Texto publicado no site http://lusitaniadepeso.pt.vu/


Estarei a proferir uma blasfémia aos olhos de muitos se afirmar que me merecem desconfiança as reuniões dos line-ups clássicos de bandas profissionais (ou semi-profissionais) cujos elementos-chave há muito cederam lugar a outros músicos, incumbidos da ingrata tarefa de prosseguir o trabalho dos carismáticos antecessores, simultaneamente demarcando-se do mesmo. No entanto, suspeito ainda mais do regresso ao activo de bandas extintas, que afirmam desbocadamente ser a música per se que as impele a regressar às lides, mesmo que por uma noite só.

Em ambos os casos, esta moda que há anos assola o universo da música sem apresentar sinais de abrandamento resume-se a mero oportunismo mercantilista:

- das editoras e retalhistas, reais e virtuais, cujo volume de negócios aumenta à custa de gravações antigas (maioritariamente sob a forma de best off’s, álbuns ao vivo e outras compilações duvidosas cujo único motivo de interesse reside nos extras, inéditos ou raridades habitualmente incluídos) ou novas, bastas vezes de inferior qualidade;

- das empresas de management / booking e merchandise, que exploram sofregamente o filão das tournées e eventos associados - workshops, sessões de autógrafos, etc.;

- dos promotores, nomeadamente de festivais, que ano após ano materializam reuniões de grupos clássicos (o Wacken Open Air constitui, no Metal, a face mais visível desta rentável moda, tendo a organização do festival já confirmado para 2008 actuações dos regressados Carcass e At the Gates);

- dos intérpretes, que relançam carreiras estagnadas ou inexistentes, após desaires musicais noutros projectos ou incursões em diferentes áreas profissionais (casos, por exemplo, de Donald e John Tardy, dos Obituary)

- da comunicação social, que se alimenta do alarido associado a estas reuniões e das controvérsias inerentes à atribulada existência de muitas bandas que, não obstante, cedem ao apelo do vil metal, recuperando as suas formações clássicas (os Police são um dos mais clamorosos exemplos).

Muitos destes agentes limitam-se a tentar sobreviver numa era em que as acentuadas quebras nas vendas discográficas obrigam à descoberta urgente de novos modelos de negócio e à exploração máxima daqueles já existentes. No entanto, há muito que a tendência se tornou uma moda geradora de milhões e sem fim à vista, expondo sistematicamente os fãs aos mesmos produtos, agora sobre-inflacionados.

Congratulei-me, obviamente, por, quase na viragem do século, Bruce Dickinson e Adrian Smith terem reocupado os seus lugares nos Iron Maiden (porém, não entendo o que ainda faz Janick Jers no grupo, além de mandar a guitarra ao ar nos espectáculos) e, mais tarde, Rob Alford ter-lhes seguido o exemplo nos Judas Priest. O momento da confirmação do regresso de Dave Lombardo aos Slayer foi mágico e a notícia de Matt Barlow ocupar novamente os comandos dos Iced Earth deixou-me radiante.

No entanto, dispensava a sucessão de acusações mútuas no âmbito do efémero regresso de Messiah Marcolin aos Candlemass, a controvérsia do entra-e-sai de vocalistas nos Anthrax (com John Bush e Joey Belladona a substituírem-se mutuamente e, por fim, a verem-se preteridos a favor do novíssimo frontman, o quase desconhecido Dan Nelson) ou da infeliz conduta dos irmãos Eddie e Alex Van Halen (coadjuvados pelo regressado David Lee Roth) para com o baixista de sempre, Michael Anthony (substituído na tournée de reunião dos Van Halen por Wolfgang, o filho adolescente de Eddie).

O facto de um (bom) músico ser preterido a favor do seu antecessor constitui um abalo não negligenciável na sua carreira. Imagino o que sentiu Tim “Ripper” Owens pela “dispensa” de que foi alvo nos Judas Priest e, depois, nos Iced Earth, para que Rob Halford e Matt Barlow pudessem reocupar as suas posições. Ou John Bush quando se viu obrigado a ceder o posto de frontman a Joey Belladona. *

Back from the dead
Por outro lado, o regresso dos Terrorizer (efémero devido à morte prematura de Jesse Pintado), Destruction (com Schimmer de volta mas sem o baterista Olly), Celtic Frost, Obituary, Europe, Gorefest ou Atheist foram bem sucedidos (embora, no caso destes últimos, não haja servido para mais do que vender umas cópias dos álbuns re-editados, dar alguns expectáculos e gravar um DVD).

Essas bandas provaram a sua relevância e qualidade musical hoje – numa época marcada pelo excesso de grupos, na sua maioria clones dos originais - como há 20 anos. São génios que souberam recuperar o estatuto outrora desperdiçado. Infelizmente, o mesmo não se aplica aos Death Angel, Nuclear Assault, Onslaught, Sabbat ou Brutal Truth, cujos regressos se mostraram irrelevantes para o Metal. Hoje, essas bandas nada acrescentam ao género, vivendo uma existência banal e, nalguns casos, manchando a sua história. Para quê, então, retomar capítulos encerrados? Porque não dignificar esses legados musicais, abrindo-lhes as portas da eternidade como são conhecidos? **

Mortos mas (infelizmente) não enterrados
No entanto, o oportunismo revela a sua expressão máxima no imoral regresso, ainda que para concertos ou digressões pontuais, de grupos míticos, finados há décadas e órfãos das suas figuras de proa, agora nas mãos do Criador. Foi chocante ver os Queen sem Freddie Mercury, os The Doors (perdão, The Doors of the XXI Century) sem Jim Morrison (mas com um ridículo Ian Astbury tentando imitar o lendário cantor ao mais ínfimo pormenor), os Sex Pistols (que actuam a 31 de Julho no Festival de Paredes de Coura)sem Sid Vicious ou os Led Zeppelin sem John Bonham (Jason, o filho, constituiu um mero prémio de consolação. Resta saber até quando a banda resistirá ao apelo monetário que uma digressão mundial constitui).

Mais do que anti-natura, estas reuniões desrespeitam grosseiramente a memória desses músicos e os sentimentos das suas famílias, amigos e fãs genuínos, que não alinham na farsa milionária. Os regressos constituem, aliás, uma violação abjecta do legado que as respectivas bandas ergueram. Vemos assim ícones da música reduzidos a (más) bandas de covers de si próprios, manchando irreversivelmente passados gloriosos que deveriam manter-se intocados. Inestimáveis contributos para a música são arrastados pela lama. O erro histórico que estas reuniões constituem não vale o dinheiro que geram. Agora, “a quente”, os fãs não terão discernimento para o reconhecer, mas o tempo encarregar-se-á de o demonstrar.
Dico

* Blaze Bailey constituiu uma excepção à regra, tendo-se desde logo revelado incapaz de honrar o brilhante legado que herdara de Bruce Dickinson.

** É certo que também no Underground se verificam regressos injustificados, mas apenas as bandas sem ambições de profissionalização voltam ao activo por genuíno amor à música. Na cena metálica nacional a moda das reuniões também já pegou mas, até agora, quase sempre de forma digna, com os Paranormal Waltz, Brutal Orgasmo ou Filli Nigrantium Infernalium a dignificarem a cena, o que não podemos dizer da novela em que se tornou a existência dos Alkateya, dando origem aos Gárgula.
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intricacy_




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MensagemAssunto: Re: O negócio multimilionário das reuniões de bandas   Qua Fev 27, 2008 12:41 am

Lembrei-me de uma muito boa agora, os "míticos" Nirvana, se foi possível fazer o mesmo com Queen, é uma questão de tempo até algum génio se lembrar do mesmo que eu Laughing.
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GhosTTerroR




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MensagemAssunto: Re: O negócio multimilionário das reuniões de bandas   Sex Fev 29, 2008 1:16 am

Olha, vem mesmo a calhar:

http://metalportugal.forumotion.com/noticias-f2/behind-the-suit-and-tie-movie-t229.htm
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Dico




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MensagemAssunto: Re: O negócio multimilionário das reuniões de bandas   Dom Mar 02, 2008 6:08 pm

GhosTTerroR escreveu:
Olha, vem mesmo a calhar:

http://metalportugal.forumotion.com/noticias-f2/behind-the-suit-and-tie-movie-t229.htm


Bem, este filme/documentário deve ser um espectáculo, tenho que o comprar em DVD quando estiver disponível.
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